terça-feira, 2 de julho de 2013

Era uma vez...

Ela tem a pele branca como a neve e os cabelos tão negros que realçam ainda mais sua alvura. Seus lábios são de um vermelho-vivo que contrastam com o coração gelado; adormecido pelo veneno da maçã. Branca de Neve, recolhida em um caixão de cristal, é venerada por sete homenzinhos que aprenderam a amá-la e que agora rezam por um milagre.

Mestre, o mais sábio dos sete anões, tagarela sobre as razões da partida de Branca de Neve. “Uma princesa tão doce e generosa vai tornar o reino dos céus ainda mais especial”, diz. Dengoso se desmancha em lágrimas, deixando Zangado com raiva por não conseguir segurar uma lágrima que escorre e carimba a camisa. Os outros anões se amontoam em cima da princesa para admirar a magia de uma beleza mórbida.

Dias se passam até que, como por um milagre, um príncipe vindo de terras distantes para e pede informações aos anões. Ele se perdeu de seus soldados quando o pelotão que comandava foi surpreendido por um ataque inimigo. Ao saltar do cavalo, o príncipe se depara com o caixão de cristal e, intrigado, pede explicações. Seus olhos não conseguem desviar de Branca de Neve. De repente, num impulso, o príncipe a arranca de lá e lhe dá um beijo apaixonado.

***

Os olhos de Dom brilham e, entre palmas e vibrações, ele pula em um abraço forte beijando ternamente a mãe. “Você é a minha Branca de Neve, mamãe. Te amo”. Sibelly abraça longamente o filho, acaricia sua cabeça e o cobre com o edredom para que durma quentinho e seguro. “Agora a Branca de Neve vai dar um beijinho para que o meu príncipe durma com os anjinhos”, cantarola Sibelly.

Ao sair do quarto com um risinho de satisfação, Sibelly leva um susto ao ver Luiz, seu marido, a observando atentamente como quem acaba de dar um flagrante. Ele sabe, esta é a estratégia da mãe para ganhar beijos e o carinho do filho que, agora, mais crescidinho, começa a rejeitar o colo e os dengos. Luiz sorri, a pega pela mão e num beijo de contos de fadas a conduz para o quarto do casal. “Vamos dormir, minha Cinderela”.  

Regina Rozin
(É melhor ser alegre que triste)


À Sibelly Nobre que, com sua doçura, alegra o Céu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário